Todos gostamos quando Medina Carreira vem aos meios de comunicação falar acerca do estado da nação. Eu também gosto de o ouvir. No programa Prós e Contras da RTP foi bom ouvil-lo - assim como também é bom ouvi-lo no Plano Inclinado da SIC-Noticias, apresentado por Mário Crespo (excelente jornalista).
Mas, aquilo que Medina Carreira (que parece ser um homem das direitas) diz, dizem todos os outros economistas, a começar, claro, por todos aqueles que são afectos ao PS.
"É PRECISO CORTAR A DESPESA!"
É esta a frase mais ouvida da boca de todos aqueles que de economia entendem bem.
"OS PORTUGUESES VIVEM ACIMA DAS SUAS POSSES". É outra das frases que se ouve da boca de quem sabe. Há números que nos indicam que, num universo de cerca de 9 milhões de pessoas em idade de produzir, apenas 3 milhões o fazem - pelo menos segundo atestam as declarações de IRS e os dados da Segurança Social. Aqui começam os graves problemas com que nos estamos a deparar. É que, até aqueles que auferem ordenados baixos têm uma vida sem regras e vivem a crédito, muitas vezes comprando bens de que não necessitam, ou (esta é a melhor parte) nem sabem utilizar muito bem."AS FAMILIAS ESQUECERAM-SE DE POUPAR."Esta é outra das frases que se ouviram da boca dos economistas. O português gasta muito daquilo que ganha em coisas acessórias que em nada contribuem para o melhoramento da sua qualidade de vida. Assim como acontece nas outras sociedades modernas, tornou-se um consumista, um gastador. Só que, nos outros países são produzidas riquezas, no nosso país não se produz o suficiente para equilibrar aquilo que se consome.
"OS PORTUGUESES ESTÃO HABITUADOS A VIVER NUM PAÍS TIPO PARAÍSO, EM QUE SÓ EXISTEM DIREITOS E NÃO HÁ RESPONSABILIDADES." Outra frase lapidar das que foram ouvidas. E Medina Carrira completa:"...e essa ideia de falta de empenho e de responsabilidade começa por lhe ser dada já na própria escola."
Isto está tudo mal pensado e mal planeado e instalou-se no país a "cultura do medo de falar verdade", diziam uns quantos. Os partidos optaram por falar de falsas verdades e, assim, contornar a verdade que afecta o país, por meras questões de medo de represálias do eleitorado. Grande conclusão da noite Prós e Contras: "SOMOS TODOS CULPADOS!"
Congelar salários será uma medida que não vai contribuir para a solução, apenas irá atenuar o sintoma da doença. Foi focado o exemplo da Irlanda que fez cortes drásticos na despesa fazendo cortes percentuais nos salários dos funcionários públicos, altos funcionários (mesmo gestores privados) e outras despesas directas do estado.
TODOS foram unânimes: o caminho a seguir aqui em Portugal parece ter que ser o mesmo, para que se possa chegar a bom porto com esta questão.Não é pela via dos impostos que se vai resolver o problema - defendiam todos - a despesa é que tem de ser reduzida drasticamente.
Portanto, meus amigos, é melhor começarmo-nos a preparar para o que aí vem nestes próximos tempos:
- redução dos salários dos funcionários públicos;
- forte possibilidade de redução drástica do estado (que se irá traduzir em desemprego no sector estatal);
- redução dos salários dos altos quadros (mesmo das empresas privadas);
- reavaliação do investimento público no sector das redes viárias e obras públicas (o projecto do TGV será, provavelmente, adiado);
- a lógica do "utilizador/pagador" vai ser aplicada às actuais SCUTs, aliviando a despesa do estado português em cerca de 700 milhões de Euros anuais.
Meus amigos:
Como dizem os nossos economistas - e muito bem!! - o país e o Estado SOMOS TODOS NÓS. É preciso que retorne a cultura de poupança de forma a que os dinheiros das familias e os dinheiros públicos sejam utilizados racionalmente.
Cumprimentos a Todos
O DEVIR DO TEMPO
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Santa Comba Dão: terra descaracterizada
A destruição do património arquitectónico e paisagístico na nossa terra não é só de agora, ou de apenas alguns anos atrás, como se possa - erradamente - pensar.Desde cobrir com alcatrão um troço de um caminho romano, demolição de uma estrutura de um antigo engenho de rega - que podia ter sido recuperado e remodelado para fins turísticos - deixar-se caír de "podre" casas de fachada tradicional para fazer do espaço uma espécie de lixeira ou depósito de carros - em pleno centro da cidade! - enfeitado com ervas daninhas e ratos, passando pela delapidação dos candeeiros antigos (que eram tão bonitos!) que estavam em toda a zona envolvente da Igreja Matriz e também nas amuradas da ponte do viaduto e terminando na duvidosa permissão de ser deixado construir um património imobiliário que descaracterizou todo o resto (Santa Comba Dão ficou uma terra de "caixotes"!), entre outros atropelos, nesta terra fez-se de tudo um pouco. Foi uma terra que sempre esteve refém das vontades de alguns e dos mandos e desmandos de outros. O Povo...esse viu sempre o presente e o futuro a passar ao lado, principalmente o futuro económico e social. O Povo esteve sempre a observar, apático, a olhar, sem ver, o presente a passar e o futuro a esvaír-se-lhe por entre o decorrer dos anos, das décadas, por entre os mandatos de quem manda - ou de quem julga que manda.
A imagem em cima mostra-nos toda a zona entre a Casa dos Barões, a Casa Paroquial (que já lá está há umas centenas de anos) e a Igreja Matriz. Os nossos pais e nossos avós sempre falaram desta zona de Santa Comba como sendo a zona nobre da terra, onde se passeava ao domingo depois do almoço em familia. Era uma zona bastante aprazível, com as suas árvores frondosas e os seus belos canteiros coloridos de flores e relva. Além disso, essa zona era um grande miradouro virado para o Rio Dão e toda a "banda d'além", de onde se disfrutava de uma bela paisagem coroada pela massa imponente (e por vezes nevada) da Serra da Estrela. Como diz a própria legenda da foto essa zona era o Jardim Municipal desta terra. Se observarem bem, vêem até o casario com uma tipicidade própria - e que se encontra ainda em diversas localidades por esse Portugal fora. Santa Comba Dão tem, nos dias de hoje, muito pouco de tipico, nem comida típica tem! A lampreia - que devia ser típica da terra - é uma iguaría que só pode ser comida em restaurantes já bem longe (uns bons pares de quilómetros) de Santa Comba. Hoje é uma terra sem interesse, onde nem a comida é genuína. Uma terra igual a tantas outras: alcatrão, pedra e cimento. O verde dos jardins de outros tempos vai-se extinguindo aos poucos.
Quanto à história desta terra, é o que todos sabemos - ou melhor: não sabemos!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
MENTIRAS de NATAL
Leopoldina, o Farol Mil Voltes, o Professor Bata Suja e o Dr. Cura Tudo tem mais uma aventura para "deliciar" a pequenada, e para dar dores de cabeça aos pais dos rebentos. Desta vez, a cambada habitual vai "ajudar" a Tartaruga Bébé.É assim, sob um manto de solidariedade balofa, que as empresas de Belmiro de Azevedo vêm a público, todos os anos por altura do Natal, para mais uma campanha de amor e boa vontade. O público, por seu turno, vai nas histórias da Carochinha - perdão: da Leopoldina! - e todos os anos, por alturas da época natalícia, os Continentes e Modelos - e, logo, a Sonae - metem no sapatinho - deles! - mais uns valentes milhões de euros.
É preciso ter lata! Cada história da Leopoldina está à venda por (cerca de) 3€ e dessa quantia 1€ vai para "acções de solidariedade" - dizem eles. Que descaramento! Ainda por cima andam a fazer solidariedade à nossa custa - sim, porque (para todos os efeitos) é a Sonae que dá o dinheiro - e não os cidadãos! É aquilo a que podemos chamar lucro duplo: a Sonae sobe no ranking de implantação social da empresa, e faz lucros fabulosos à custa da boa vontade dos cidadãos! Grande negócio!!
O Sr. Belmiro de Azevedo sería, sim, um verdadeiro benemérito se doasse a totalidade da campanha - tanto da Leopoldina como a da Popota - para obras de benificiência e solidariedade social. Isso sim!: o homem podería almejar a ser o próximo português a ser canonizado - assim que fechasse a pestana, claro! E não me venham com mais histórias da Leopoldina: a sonae ganha anualmente rios de dinheiro, e a fortuna de B. Azevedo já há muito que figura nas principais publicações sobre o tema - onde nós nos podemos "babar" a ver os números astronómicos (e escandalosos!) das fortunas dos milionários do planeta. Não faria mais do que aquilo que está ao seu alcance!
Se assim fosse, o Sr. Belmiro, em vez de ajudar umas quantas (poucas) crianças por ano, podería, concerteza, ajudar muitas mais. Mas não!
O Sr. Belmiro virá, mais uma vez, gabar-se para a comunicação social da sua grande campanha solidária, as suas empresas sobem nos gráficos económicos - pois é isso que, afinal, importa - e centenas mais centenas de crianças continuarão abandonadas à sua sorte - até para o ano, no Natal.
Quem, durante o resto do ano, olha pelos pobres, pelos indigentes, por todos aqueles que não têm voz!? Se olharmos bem, a pobreza - a de espirito também! - habita mesmo ao lado.
Os simbolos e valores caíram no chão, e as quadras festivas não passam, nos dias de hoje, de meros espelhos da hipocrisía humana.
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